segunda-feira, 19 de dezembro de 2011


Relator apresenta proposta de Orçamento sem incluir previsão de aumento salarial para os servidores públicos

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Relator apresenta proposta de Orçamento sem ...

R7 - 
O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou nesta segunda-feira (19) o relatório final do Orçamento 2012 sem incluir previsão de aumento salarial para os servidores públicos. Quanto ao salário mínimo, o texto reserva R$ 2,2 bilhões para ...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


104 anos de Oscar Niemeyer: veja as obras do arquiteto pelo mundo

Arquiteto que levou o Brasil para a arquitetura mundial tem obras consagradas nos EUA, França e outros países.
"Não é o ângulo certo que me atrai, nem a linha reta e inflexível criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual – a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso do rio, no corpo da mulher amada”.
 
Oscar Niemeyer Ribeiro Soares Filho, que completa hoje 104 anos, levou o nome do Brasil para a arquitetura mundial. Suas obras estão presentes não só aqui, mas também nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argélia, Itália, entre outros países.
 
Apesar de sua preocupação com a funcionalidade, a atenção à estética é uma das características mais evidentes de seus projetos, muitos dos quais contaram, inclusive com a participação de artistas plásticos consagrados como Cândido Portinari, Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti, Burle Marx e Tomie Othake.
 
Após se formar engenheiro arquiteto pela Escola Nacional das Belas Artes do Rio de Janeiro em 1934, Niemeyer começou a trabalhar no escritório de Lúcio Costa, integrando a equipe que projetou o prédio do Ministério da Educação (Edifício Gustavo Capanema), um dos marcos da arquitetura brasileira.
 
O ano seguinte reuniu Niemeyer ao político Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte, que o convidou para projetar o Conjunto da Pampulha - obra que o arquiteto até hoje considera uma de suas favoritas.
 
Em 1947, ganhou por unanimidade o concurso para a construção da sede da Organização das Nações Unidas em Nova York.
 
No início da década de 1950, projetou o parque do Ibirapuera e o Edifício Copan, que se tornariam cartões-postais da cidade de São Paulo. Também viajou à Europa, participando do projeto para a reconstrução de Berlim.
 
Quando Juscelino Kubitschek assumiu a Presidência da República em 1956, Niemeyer foi incumbido de organizar o concurso para a escolha do plano-piloto de Brasília, vencido por Lúcio Costa. 
 
Em poucos meses, Oscar Niemeyer projetou o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional, a Catedral, os prédios dos Ministérios, além de edifícios residenciais e comerciais da nova capital, inaugurada em 21 de abril de 1960.
 
Com o golpe militar de 1964, Niemeyer, cuja vida é marcada pelo engajamento político, foi impedido de trabalhar no Brasil, por isso resolveu mudar-se para a França. Com um escritório em Paris, ele ampliou suas fronteiras e desenvolveu projetos em outros países como na Itália, em Portugal e na Argélia.
 
Nos anos 80, com o abrandamento da ditadura militar, Niemeyer retornou ao Brasil e, no mesmo ano, projetou o Memorial Juscelino Kubitschek em Brasília. Quatro anos depois, sob o governo de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, projetou o Sambódromo. Em 1987, o Memorial da América Latina em São Paulo. Foi ainda responsável pelos CIEPs, Centro Integrado de Educação Pública.
 
Em 1991 projetou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e ao longo dos dez anos finais do século 20 criou várias outras obras importantes. Não interrompeu seu trabalho nos primeiros oito anos do século 21, desenvolvendo projetos no Brasil, em Oslo (Noruega), em Moscou e em Londres. Entre as obras recentes mais famosas de Niemeyer estão o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba (PR), conhecido popularmente por sua forma de olho, e o Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
 
Confira na galeria, as fotos das construções do arquiteto pelo mundo e uma lista com todos os projetos feitos por Niemeyer.
 

sábado, 19 de novembro de 2011


Dia da Bandeira - 19 de novembro


A Bandeira do Brasil é um emblema que simboliza a nossa pátria.



Todos os anos, no dia 19 de novembro acontecem celebrações em todo o Brasil homenageando a Bandeira, sempre acompanhada do Hino da Bandeira. Nesta data também são queimadas as bandeiras velhas.

Nos dias de festas ou luto em órgãos públicos, ou em situações em que o Brasil está sendo representado a bandeira deve ser erguida. Mas durante a noite, ela não pode ficar erguida, somente se estiver iluminada.

As 27 estrelas presentes na bandeira representam os 26 Estados do Brasil e o Distrito Federal.


Fonte: http://www.colegioweb.com.br/datas/dia-da-bandeira19-de-novembro.html




Dia da BandeiraHistória do Dia da Bandeira Brasileira comemoração, 19 de novembro, criação da data, símbolo nacional
dia da bandeira brasileira


História do Dia da Bandeira

O Dia da Bandeira foi criado no ano de 1889, através do decreto lei número 4, em homenagem a este símbolo máximo da pátria. Como nossa bandeira foi instituíta quatro dias após a Proclamação da República, comemoramos em 19 de novembro o Dia da Bandeira.

Nesta data ocorrem, no Brasil, diversos eventos e comemorações cívicas nas escolas, órgãos governamentais, clubes e outros locais públicos. É o momento de lembrarmos e homenagearmos o símbolo que representa nossa pátria. Estas comemorações ocorrem, geralmente, acompanhadas do Hino à Bandeira. Este lindo hino ressalta a beleza e explica o significado da bandeira nacional.

Curiosidades sobre a bandeira brasileira:

- Quando várias bandeiras são hasteadas em nosso país, a brasileira deve ser a primeira a chegar no topo do mastro e a última a descer.

- Quando uma bandeira brasileira fica velha, suja ou rasgada, deve ser imediatamente substituída por uma nova.

A bandeira velha deve ser recolhida a uma unidade militar, que providenciará a queima da mesma no dia 19 de novembro.

- Caso a bandeira fique hasteada no período noturno, ela deve ser iluminada.


Fonte:  http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_da_bandeira.htm

sábado, 5 de novembro de 2011



1º Simpósio de Pagamento de Pessoal das Forças Armadas
Brasília – Nos dias 24 e 25 de outubro, foi realizado o 1º Simpósio de Pagamento de Pessoal das Forças Armadas, no Auditório da Secretaria de Economia e Finanças do Exército Brasileiro.
A reunião foi uma iniciativa da Secretaria de Economia e Finanças e do Centro de Pagamento do Exército, visando esclarecer aspectos relativos à remuneração dos militares das Forças Armadas. Participaram do evento os responsáveis pela área de pagamento das três Forças.
Os debates focaram assuntos relacionados à remuneração de militares, pensionistas e servidores civis vinculados, permitindo a troca de experiências, com a finalidade de padronizar procedimentos.
O Simpósio possibilitou a confecção de um documento, que será encaminhado ao Ministério da Defesa, para que as dúvidas sejam sanadas e soluções sejam padronizadas, orientando as Forças Armadas para a melhoria do seu sistema de pagamento.

NOTICIAS DO NOSSO EXÉRCITO: CLIQUE NO SEGUINTE LINK PARA ACESSAR O NOTICIÁRIO DO EXÉRCITO:

http://www.exercito.gov.br/web/midia-impressa/noticiario-do-exercito

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O que Publicam os Principais Jornais do País, nesta quinta-feira (Sinopse Radiobras)


Rebeldes estão a patrulhar as ruas e a revistar todos os veículos na capital líbia
AP


O Globo

Manchete: Rebeldes ainda combatem, mas já prometem eleições
Conselho opositor oferece anistia e recompensa por Kadafi: vivo ou morto

Embora ainda haja combates intensos em Trípoli e em outras cidades do país, o conselho rebelde mostrou ontem que tem pressa em iniciar a transição e anunciou para daqui a oito meses as primeiras eleições livres da Líbia. Ofereceu também anistia e uma recompensa de US$ 1,7 milhão a quem capturar ou matar o ditador Muamar Kadafi. Numa ofensiva diplomática, líderes do conselho foram ao Qatar e à França, na tentativa de assegurar recursos de US$ 5 bilhões para o seu governo. Os EUA pediram ao Conselho de Segurança da ONU que descongele US$ 1,5 bilhão em fundos líbios para financiar o governo rebelde. (Págs. 1, 31 a 34 editorial "O risco de a Líbia virar outro Iraque")


Uma vez Flamengo...

Filho de um ex-diplomata de Kadafi que serviu no Brasil e desertou, Mohamed Firjani foi um dos milhares de líbios que entraram na fortaleza do ditador e viram como era a vida de luxo que ele levava com seus filhos, relata Deborah Berlinck. "Kadafi acabou!", exultava ele, que fez questão de vestir a camisa rubro-negra ( Págs. 1 e 31)


Artigo
"Nós fomos libertados de nossos próprios medos" (Ghazi Gheblawi, cirurgião ensaísta e poeta líbio) (Págs. 1 e 34)


Isso não é Roma antiga, diz Dilma
Classificada ontem como a terceira mulher mais poderosa do planeta pela revista “Forbes”, a presidente Dilma Rousseff disse que a faxina ética não é meta de seu governo, mas sim a faxina contra a pobreza. E que não quer ranking de demissões. “Isso não é de fato Roma antiga”, afirmou. (Págs. 1, 4 e 9)

Briga entre ‘safado’ e ‘débil mental’
Os senadores Humberto Costa, líder do PT, e Mário Couto (PSDB) quase trocaram tapas ontem, durante bate-boca sobre corrupção que começou na tribuna e acabou no cafezinho. O petista xingou o tucano de débil mental e foi chamado de safado. (Págs. 1 e 3)


Denunciados no STF renunciam a comissão
PT e PMDB obrigaram ontem os deputados João Paulo cunha, réu no mensalão e Eduardo Cunha, alvo de inquérito no STF, a desistir de comandar a comissão sobre mudanças no Código de Processo Civil. (Págs. 1, 3 e Merval Pereira)

Historiador: Cadeia da Legalidade criou ilusões na esquerda (Págs. 1 e 12)


Cacciola faz planos sobre o seu futuro e procurador teme fuga. (Págs. 1 e 25)


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Folha de S. Paulo

Rebeldes oferecem prêmio por ditador vivo ou até morto
Recompensa por Gaddafi inclui anistia mais R$ 2,5 milhões; para chanceler do país, oposicionistas já venceram a guerra

O presidente do CNT (Conselho Nacional de Transito), Abdel Jalil, anunciou que qualquer pessoa do círculo de Muamar Gaddafi que o mate ou capture receberá “anistia total” de crimes cometidos durante o regime, além de recompensa de R$ 2,5 milhões.

A frente de oposição diz ter o controle de 80% de Trípoli, que ainda registra fortes confrontos. Poucos civis se arriscam a sair às ruas. (Págs. 1 e Mundo)

Steve Jobs renuncia ao comando da Apple
Steve Jobs, 56, anunciou que deixará o cargo de presidente-executivo da Apple, que ocupa há 14 anos.

Os motivos não foram revelados. Jobs, que estava de licença médica, segue como presidente do conselho.(Págs. 1 e Mundo A16)


França anuncia taxa de 3% sobre renda dos ricos
Após carta de 16 milionários franceses se propondo a pagar mais impostos, o presidente Nicolas Sarkozy aprovou pacote com sobretaxa de 3% para quem tiver renda superior a 500 mil euros anuais (R$ 1,15 milhão).
A medida integra pacote para arrecadar 12 bilhões adicionais. (Págs. 1 e Mundo A15)

Consulado terá poupatempo para vistos dos EUA
O Consulado dos EUA em SP vai inaugurar em novembro espécie de serviço poupatempo para tentar acelerar a concessão de vistos.
Serão abertos de três a cinco postos para procedimentos como tirar impressões digitais e foto. A entrevista continuará a ser feita no consulado. (Págs. 1 e Cotidiano C10)


Alckmin quer aposentadoria complementar para servidor (Págs. 1 e A7)


Até 2013, Planalto vai destinar R$ 850 mil para microcrédito (Págs. 1 e A11)


Jânio Quadros Neto: Meu avô pensava que iria voltar mais fortalecido
Hoje é o 50º aniversário da renúncia de meu avô à Presidência. Em 25 de agosto de 1991, ele me disse já no hospital: “A renúncia era para ter sido uma articulação, nunca imaginei que seria executada. Imaginei que voltaria ou permaneceria fortalecido”. (Págs. 1 e Opinião A3)


Editoriais
Leia “Faxina e sangue”, sobre acenos da presidente Dilma para sua base de apoio, e “Caminho errado”, acerca de suspeitas de abuso policial. (Págs. 1 e Opinião A2)


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O Estado de S. Paulo

Manchete: Chanceler de Kadafi admite derrota, mas conflito continua
Membros do governo já não têm contato entre si; ditador segue desaparecido e há recompensa pela captura

Abdul Ati al-Obeidi, chanceler de Muamar Kadafi, admitiu ontem que o regime instalado há 42 anos na Líbia caiu diante da ofensiva rebelde. As declarações foram feitas horas após a tomada de Bab al-Azizia, o quartel-general do regime em Trípoli. Segundo o chanceler, os ministros perderam o contato entre si, o que demonstra a dissolução da administração. Combatentes rebeldes, brigadas e mercenários leais ao ditador, no entanto, travavam ontem intensas batalhas na disputa pelo controle de pontos estratégicos da capital Líbia. O ditador continua desaparecido, mas pede ao povo que resista e promete voltar ao poder. Os rebeldes seguem tentando capturá-lo. Empresários líbios ofereceram ontem recompensa de US$ 1,7 milhão a quem entrega-lo “vivo ou morto”. (Págs. 1 e Internacional A13 a A18)


Brasil vai discutir transição

Os governos da França e da Grã-Bretanha anunciaram uma "conferência de amigos da Líbia" no dia 1º, em Paris, para discutir a transição no país. O Brasil participará (Págs. 1 e A18)

Ministro pagou empresa da campanha com verba oficial
Três dias após as eleições de 2010, o ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP) – à época deputado federal que tentava a reeleição-, usou verba da Câmara para ressarcir despesas com empresas de táxi aéreo que prestou serviços à sua campanha. A Aero Star Táxi Aéreo Ltda. emitiu dois recibos, de R$ 18.300 e R$ 8.850, para Negromonte, que entregou as notas à Câmara para comprovar a despesa da "cota para exercício da atividade parlamentar". (Págs. 1 e Nacional A4)

Maluf negociou para sair da lista da Interpol
Paulo Maluf negociou com a Justiça dos EUA para ter seu nome retirado da lista dos procurados pela Interpol em todo o mundo e poder viajar. No final, desistiu do acordo. (Págs. 1 e Nacional A10)

Descoberto rio sob o Rio Amazonas
Pesquisadores do Observatório Nacional encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros bem embaixo do Rio Amazonas, informa o repórter Alexandre Gonçalves. A descoberta foi com base em dados obtidos pela Petrobrás enquanto procurava petróleo. (Págs. 1 e A22)

Cacciola cumprirá pena em liberdade condicional (Págs. 1 e Economia B7)


Taubaté vai pagar piso de R$ 3,3 mil a professor (Págs. 1 e Vida A25)


Trem ligará São Paulo a Jundiaí em 25 minutos (Págs. 1 e Cidades C1)


José Serra
50 anos e um falso dilema

A explicação de Jânio Quadros para a renúncia enfatizou sempre a contradição até hoje invocada para justificar malfeitos. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)

Veríssimo
Foi pessoal

Em 1986, fui atacado pelo Kadafi na Itália. Quinze anos depois, estava eu em Nova York quando fui, de novo, sorrateiramente agredido. (Págs. 1 e Caderno2 D12)

Notas & Informações
Desoneração desastrada

O governo terá de consertar o Plano Brasil Maior se quiser preservar sua parte mais inovadora. (Págs. 1 e A3)


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Correio Braziliense

Manchete: O gênio da Apple sai de cena
Sim, ele é o cara do iPod, do iPhone e do iPad. O mentor de uma revolução tecnológica que mudou o jeito de o mundo ouvir música, lidar com o celular, navegar na internet. O mago que fez o capital da Apple pular de US$ 5,4 bilhões em 2001 para US$ 65,2 bilhões em 2010. E que na semana passada chegou a valer tanto quanto os 32 maiores bancos europeus juntos. Ontem à noite, o dono dessa carreira invejável renunciou à presidência da companhia. Abalado por um raro câncer no pâncreas, Steve Jobs estava de licença médica havia nove meses. Ele indicou Tim cooks para substituí-lo. E disse que continua na empresa. Agora, como presidente do conselho da Apple.

Jobs confiou na intuição ao escolher o sucessor

Ações da empresa caem após anúncio da renúncia

Companhia é a segunda mais valiosa do planeta (Págs. 1, 12 e 13)


Dilma é a 3ª mulher mais poderosa do mundo
Na lista das 100 mulheres mais influentes do planeta, a presidente Dilma Rousseff só fica atrás da chanceler alemã, Angela Merkel, e da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Outra brasileira no ranking, publicado pela revista Forbes, é a modelo Gisele Bundchen, que ficou na 60º posição. (Págs. 1 e 3)


Turismo: Dinheiro da Copa para entidades sob suspeita
Investigados pelo Ministério Público Federal, o Instituto Brasileiro de Hospedagem e o Instituto Centro-Brasileiro de Cultura têm convênios de R$ 18,9 milhões para qualificação de trabalhadores. A assessoria do ministro Pedro Novais afirmou que todos os contratos assinados serão revistos. (Págs. 1 e 2)


Servidores: Fundo de pensão vira batalha no Congresso
Aprovada numa comissão da Câmara sob vaias e protestos de funcionários públicos, a criação da previdência complementar da categoria deve ser concluída na próxima semana. No entanto, emendas apresentadas podem tirar da nova regra as carreiras mais bem remuneradas do poder público. (Págs. 1 e 14)

Brasil tenta aproximação com líderes rebeldes
Mesmo sem reconhecer o Conselho Nacional de Transição, que assumiu o governo libio após a invasão de Trípoli, o Itamaraty já articula a manutenção dos investimentos brasileiros no país africano. A captura do ditador Muamar kadafi, vivo ou morto, vale recompensa de R$ 2,5 milhões. (Págs. 1, 22 e 23)

O pesadelo do cheque especial
Os juros dessa modalidade de empréstimo são os mais altos do crédito no país, com média de 188% ao ano. É o maior índice em 12 anos. (Págs. 1 e 16)

Banco de DNA contra o crime
Senado aprova a criação de um cadastro nacional com os dados genéticos dos condenados. Especialistas consideram a medida arbitrária. (Págs. 1 e 10)


Menos sal, mais saúde
O consumo em excesso de sódio aumenta a incidência de doenças crônicas. Uma campanha vai alertar sobre os riscos do uso exagerado do produto. (Págs. 1 e 25)
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Valor Econômico

Manchete: Crescimento não alivia contas de Estados do NE
O crescimento econômico mais acelerado do Nordeste nos últimos anos não se traduziu até agora em melhoras significativas nas contas dos Estados da região. Os maiores problemas estão nos menos populosos - Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, que combinam incapacidade de investimento próprio com descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal. Já Piauí e Sergipe continuam dependendo fortemente da ajuda do governo federal, embora suas receitas próprias tenham se elevado sensivelmente na última década, como resultado da expansão econômica. Segundo o Tesouro Nacional, a arrecadação de tributos estaduais representou 47% das receitas correntes dos Estados do Nordeste em 2010, contra uma média nacional de 63%.

A folha de pagamento inchada é o grande problema da maioria dos governadores da região, entre os quais Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba. No último relatório de gestão fiscal, do primeiro quadrimestre deste ano, o Estado tinha 52,8% da receita corrente líquida comprometida com os salários dos servidores do Executivo, acima do teto de 49% imposto pela lei fiscal. Desde que assumiu, em janeiro, o governador conseguiu reduzir em cerca de cinco pontos percentuais as despesas com a folha, que em janeiro comprometiam 58% da receita. (Págs. 1 e A3)

Ainda falta democracia nos partidos
Levantamento obtido pelo Valor mostra que PT e PMDB são os partidos com mais democracia interna, por apresentarem as menores taxas de comissões provisórias nos mais de 5 mil municípios onde estão organizados. As comissões provisórias, que podem ser dissolvidas a qualquer momento, ao menor sinal de rebeldia, são o principal instrumento de controle de caciques políticos sobre partidos médios e pequenos, independentemente de ideologias.

Entre os menos democráticos, com até 99% de comissões provisórias, figuram PP, PR e PTB até PDT, PSB e PV - o presidente do PV, José Luiz Penna, conseguiu derrotar Marina Silva no partido mesmo depois que a ex-senadora obteve quase 20 milhões de votos na eleição presidencial. PSDB, DEM e PCdoB estão no bloco intermediário. (Págs. 1 e A12)

Indústria quer corte de juros para ônibus e caminhões ‘limpos’
A quatro meses de o Brasil dar seu maior salto na legislação de controle de emissões para caminhões e ônibus, as montadoras correm, nos bastidores, para obter do BNDES financiamento com juros mais baixos para a nova geração de veículos. A partir de janeiro, segundo a legislação, os atuais caminhões e ônibus, altamente poluentes, não serão mais vendidos no Brasil, sendo substituídos por similares mais "limpos".

Por causa dos custos do investimento na nova tecnologia, a indústria já avisou que elevará os preços entre 8% e 20%. Por isso, transportadores mais capitalizados já antecipam encomendas para fugir do aumento de preço. De janeiro a julho, enquanto as vendas de todos os tipos de veículos aumentaram 8,58%, o mercado de caminhões cresceu 15,1% e o de ônibus, 21,69%. No mesmo período, o segmento de automóveis registrou expansão de 5,79%. (Págs. 1 e B9)

Dólar a R$ 1,6 e liquidez animam ACC
Exportadores estão aproveitando a cotação do dólar acima ou em torno de R$ 1,60 e a liquidez dos mercados internacionais para países emergentes e estão fechando operações de câmbio em grande volume, já que a expectativa de médio prazo continua sendo de apreciação da moeda brasileira.

Assim, acelerou-se o fechamento das operações de adiantamento de contrato de câmbio (ACC). No ano, até o dia 19, o volume chega a US$ 34,3 bilhões, segundo o Banco Central, quase empatando com o total verificado em 2010 - US$ 37,6 bilhões. É também o maior valor da série histórica para o período.

O Banco do Brasil, que detém um terço desse mercado, acredita que este será o melhor ano da história e espera fechar em contratos de ACC algo superior a US$ 17 bilhões, segundo Allan Toledo, vice-presidente da instituição. Até julho, o banco acumula US$ 10,3 bilhões em contratos. (Págs. 1 e C1)

Pacote de austeridade da França é visto com ceticismo
O ceticismo prevaleceu nas primeiras reações, ontem a noite, ao plano de austeridade anunciado pela França. Analistas previram que as medidas darão algum conforto ao mercado no curto prazo, mas consideraram improvável que elas consigam evitar que a França perca seu rating de crédito AAA.

O principal foco das medidas é o aumento de impostos, a um ano da eleição presidencial. O objetivo é economizar € 11 bilhões em 2012 para reduzir o déficit público dos atuais 5,7% do PIB para 3% em 2013. (Págs. 1 e A17)

Fabricação do iPad fica para 2012
Prometida para este ano, a produção local do iPad só será inciada pela Foxconn em 2012. O diretor do sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, Evandro Santos, disse que a empresa deve começar com produtos mais simples, como iPods e iPhones. Ontem, a Foxconn confirmou a produção local - o que ainda não tinha feito oficialmente -, mas não citou produtos ou prazos. A montagem do iPad no Brasil foi inicialmente prometida para novembro, durante visita do ministro Aloizio Mercadante à China, em abril. Depois, foi antecipada para julho e, em seguida, adiada para setembro. (Págs. 1 e B2)

Swiss Re terá resseguradora no Brasil, diz Rolf Steiner (Págs. 1 e C8)


Múltis de alimentos ficam mais locais em emergentes (Págs. 1 e B11)


Câmara discute maior rigor na punição de “insider trading” (Págs. 1, D1 e D9)


Reação aos importados
Em meio a uma disputa societária, a Faber-Castell planeja investir R$ 100 milhões para modernizar suas fábricas e enfrenta a concorrência dos produtos importados, principalmente da China. (Págs. 1 e B3)


Brasil lidera ação verde na Danone
A filial brasileira da Danone exibe o melhor resultado entre as 45 fábricas da companhia na redução da emissão de gases poluentes. Na unidade de Poços de Caldas (MG), a terceira maior no mundo, o corte médio é de 10% ao ano. (Págs. 1 e B5)

Condomínio ecológico
A construtora Calper, em parceria com a Ecoglobal e a Cintrax, planeja entregar em 2016 um megaprojeto residencial no Rio com foco na sustentabilidade. São oito prédios com energia eólica, captação de águas pluviais e tomada para carros elétricos. (Págs. 1 e B8)


Trigo ameaçado no Paraná
A colheita de trigo no Paraná atingiu 4% da área plantada e há indicativos de que a quebra na safra 2010/11 será maior do que a prevista inicialmente, chegando a 28%. Cerca de 72% da lavoura ainda está sob risco climático. (Págs. 1 e B13)


Confinamento ganha ânimo
A recuperação na cotação do boi neste ano deve incentivar o confinamento no país, mesmo com os preços altos dos insumos. A expectativa é de um aumento superior a 30%. No ano passado, houve queda de 9,4%, para quase 1,2 milhão de animais. (Págs. 1 e B14)


Palma mais responsável
Com a concessão do selo de sustentabilidade à brasileira Agropalma, a Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês) anuncia hoje a marca de 1 milhão de hectares certificados no mundo. (Págs. 1 e B14)


Microcrédito produtivo
A partir de agora, o governo vai privilegiar os empréstimos para capital de giro e investimento, em vez do consumo, nas operações de microcrédito, que terão um corte radical nos juros. (Págs. 1 e C5)

BTG negocia corretora chilena
O BTG pactual negocia a compra da Celfin Capital, principal corretora chilena que conta com uma forte área de gestão de recursos de fundos de pensão. O acordo deve ser anunciado nas próximas semanas. (Págs. 1 e C11)

Idéias
Carlos Alexandre Dohler

Maior mérito do plano Brasil Maior foi finalmente abrir espaço em Brasília para debater a desoneração da indústria. (Págs. 1 e A18)

Ideias
Felipe Salto e Samuel Pessôa

Com a nova política industrial do governo Dilma Rousseff, teremos um “Brasil ainda Maior” e mais gastador. (Págs. 1 e A19)


Blogs
O Estrategista
André Rocha escreve sobre a polêmica da carta de gestão


O Consultor Financeiro
Marcelo d'Agosto responde a uma pergunta: por que os fundos fecham?


Casa das Caldeiras

Cláudia Safatle: o mérito da MP dos derivativos está fora de discussão.

Angela Bittencourt comenta a dívida "ampliada" do Brasil, de US$ 405 bi

Ribamar Oliveira: a difícil batalha de Dilma para conter salários de servidores

Cristiano Romero: a China e futuro do Brasil, segundo Barros de Castro

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Estado de Minas

Manchete: BH: Capital dos bares, das mulheres, do pão de queijo, das montanhas... Da inflação
Famosa por seu relevo, boemia, culinária e pelo grande contingente feminino, Belo Horizonte caminha para conquistar um titulo indesejável: a de campeã da escalada do custo de vida. No acumulado do ano até julho, a variação de 4,1% do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), medido pela Fundação Getúlio Vargas, era a maior entre as principais capitais, ao lado de Porto Alegre.
Mas, na terceira semana de agosto, a capital mineira disparou na frente, com 0,46%. Também no acumulado até agosto do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, medida pelo IBGE, BH aparece na ponta, com 4,82%. O dado positivo é que os preços são pressionados pela maior alta de renda do país em 12 meses, associada à mais baixa taxa de desemprego. (Págs. 1 e 13)


Acredite se quiser
O dono deste imóvel tem em seu nome uma empresa que movimentou R$ 270 milhões

Esta casa, no paupérrimo Bairro Jardim Teresópolis, em Betim, pertence a José Hazendever Ramos, que trabalha num armazém na mesma região. Mas também é dele o Mercavale, uma das maiores atacadistas de açúcar da CeasaMinas, segundo a razão social da própria empresa, que comprou R$ 270 milhões em mercadorias entre 2008 e 2010. Documentos da Operação Laranja-lima, do MP aos quais o Estado de Minas teve acesso, apontam este como um dos casos de testas de ferro usados num esquema milionário de sonegação fiscal, estourado há três semanas, comandado pelo barão do açúcar Édson Bicalho Braga. Apesar das evidencias, a Justiça revogou a prisão preventiva do empresário. (págs. 1 e 11)


Superpoderosa, Dilma quer ir além da faxina
Apontada pela revista Forbes como a terceira mulher mais poderosa do mundo, atrás da alemã Ângela Merkel e da americana Hillary Clinton, presidente brasileira diz que o combate à pobreza é mais importante que limpar a corrupção nos ministérios. (Págs. 1 e 3)


Prossegue o impasse
Estado considera que decisão do Supremo confirmando o piso nacional não afeta a política salarial para o magistério em Minas e ressalta que o atendimento à reivindicação da categoria levaria ao descumprimento da lei de Responsabilidade Fiscal. Professores recusam propostas de reajuste e decidem manter a greve, que já dura 77 dias. (Págs. 1 e 8)


Salvatore Cacciola: Justiça do rio manda libertar ex-banqueiro acusado de fraudes. (Págs. 1 e 14)


R$ 2,5 milhões pela cabeça de Kadafi
Empresários oferecem recompensa e anistia pela morte ou captura do ditador libio Muamar Kadafi. Enquanto isso, Brasil procura manter contato com rebeldes. Embaixador no Egito diz que, mesmo com o fim do regime, há promessa de respeito aos contratos com empresas. (Págs. 1, 22 e 23)

‘O dia chegou’: Steve Jobs renuncia ao comando da Apple
O cara e a cara da maçã comunicou que não está mais à frente da maior companhia de capital aberto do mundo. O controle foi entregue a Tim Cook, vice-presidente que guiou a empresa durante as licenças médicas de Jobs, diagnosticado em 2004 com um tipo raro de câncer no pâncreas. (Págs. 1 e 20)

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Jornal do Commercio

Manchete: Estado reforça uso da ciência contra o crime( Pág. 1)


Reajuste da prefeitura é de 4% (Pág. 1)


US$ 1,7 milhão por Kadafi, "vivo ou morto" (Pág. 1)


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Zero Hora

Inter bicampeão da Recopa (Pág. 1)


A face desconhecida da legalidade
Em vigília no Piratini. (Págs. 1, 32 e 33)
Luta contra o câncer: Steve Jobs renuncia a comando da Apple
Tim Cook foi o indicado para substituí-lo. (Págs. 1 e 20)


Educação: STF define regras de piso do magistério
Estado admite não ter como conceder aumento ainda neste ano. (Págs. 1 e 38)


Barreiras em rodovias: Brigada investiga PMs rebeldes
Protestos por aumento de salário se tornaram freqüentes. (Págs. 1 e 48)


Uma incursão sob tiros à capital Líbia conflagrada
Repórter de ZH chegou ao coração da guerra. (Págs. 1, 4 a 8)
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Brasil Econômico

Manchete: Maiores lucros da bolsa sobem 40% e somam R$ 83,3 bi
Ranking das 15 empresas com melhores resultados na BM&Fbovespa mostra que pânico dos mercados nos últimos tempos não tem respaldo no desempenho operacional das companhias. Mas lista já aponta os reflexos da crise internacional, com siderúrgicas cedendo posições a grupos como BR Foods e Cosan, que se beneficiaram do bom momento do mercado interno e da alta no preço dos alimentos. (Págs. 1 e 4)



Segundo a revista Forbes, Dilma Rousseff é a terceira mulher mais poderosa do planeta, atrás da premiê alemã, Angela Merkel, e da secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Entre os motivos, dizem analistas, está o protagonismo da economia brasileira no cenário internacional (Págs.1 e 10)
Pão de Açúcar inicia vendas on-line pela TV
Varejistas como o Extra, hipermercado do grupo de Abilio Diniz, e Walmart começam a vender por meio das chamadas televisões conectadas, em que a compra de produtos depende apenas de alguns cliques do consumidor no controle remoto. (Págs. 1 e 18)


Microcrédito terá juro de 8% ao ano
Governo confirma que subsidiará taxas para microempreendedor. (Págs. 1 e 12)


BTG negocia fusão para ser o maior na AL
O banco brasileiro está em negociação com o grupo chileno Celfin que pode torná-lo a maior instituição de investimentos da região. A conclusão do negócio depende de auditoria e de aprovação regulatória. (Págs. 1 e 32)


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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Brizola: Campanha da Legalidade - 50 anos




O heroísmo de Brizola

Juremir Machado da Silva
Tenho passado a maior parte das minhas melhores horas pesquisando em arquivos históricos, em bibliotecas com belas coleções de livros cada vez mais raros e entrevistando remanescentes de episódios incandescentes da vida brasileira. A história para mim é um grande romance, o melhor dos romances, aqueles em que os fatos e as intrigas não precisam ser inventados, mas recolhidos, o que lhes dá transcendência e aura. Faço, cada vez mais, romances de não ficção ou quase romances. Foi assim com “Getúlio” e mais ainda com “1930: Águas da Revolução”. É assim com meu novo livro, “Vozes da Legalidade – Política e Imaginário na Era do Rádio”. É pura história na veia.

Meu livro conta a história, vivida entre 25 de agosto e 7 de setembro de 1961, há 50 anos, da brava resistência comandada pelo governador do nosso Estado, Leonel Brizola, de metralhadora a tiracolo e microfone aberto, contra o golpe pretendido pelos ministros militares, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, contra o vice-presidente da República, o gaúcho João Goulart. Brizola mostrou que era de faca na bota. Não se abaixou diante de ninguém. O episódio da Legalidade, assim como a Revolução de 1930, mostra um Rio Grande do Sul disposto a lutar até a morte para ser Brasil e para melhorar o Brasil. “Vozes da Legalidade” conta a história do menino Itagiba, que seria Leonel e Leonel Brizola, mas conta também a história da Rádio Guaíba, cabeça da rede da Legalidade, e de uma geração de jornalistas, radialistas, políticos, artistas e tantos outros, gente que está por aí na faixa entre 70 e 80 anos de idade.

Vou confessar para vocês: ao longo da pesquisa, lendo e principalmente ouvindo os discursos de Brizola, eu ficava arrepiado. Que tempos! Que homem! Meu livro conta a história de quatro civis (Jânio Quadros, João Goulart, Carlos Lacerda e Leonel Brizola) e dois militares, o general Machado Lopes, comandante do III Exército, sediado em Porto Alegre, e Odylio Denys, ministro da Guerra. Mas narra também o papel da nossa Brigada Militar, dos outros ministros fardados e de uma juventude destemida que saiu às ruas para defender a Constituição. Por que não comemoramos todos os anos com festas a Revolução de 1930 e a Legalidade, que procuraram nos ligar ao Brasil? A Revolução de 1930 e a Legalidade foram progressistas e muito “brasileiras”. Jango e Brizola ampliaram a sensibilidade social de Getúlio.

A Legalidade foi certamente o mais popular de todos os nossos movimentos. Getúlio Vargas e Leonel Brizola, cada um do seu jeito, contaram mais para a brasilidade do que seus antecessores. Pelo que foi a Legalidade, Brizola poderia ser considerado o maior herói gaúcho na história brasileira. Mostrou coragem e idealismo. Ele e Jango, que de fraco nada tinha, tendo sido, mais tarde, derrubado pelos seus acertos, não por suas falhas, cometeram um grande erro: querer acelerar as reformas de um país ainda cruelmente desigual numa época em que o conservadorismo civil não se constrangia em buscar tutela fardada.

Legalidade: Brizola diz que resistirá até a morte

Fonte: Sul 21 - Lorena Paim | 14 de junho de 2011

Brizola fez um pronunciamento de improviso e emocionou a todos - Foto: Acervo Fotográfico do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

A crise após a renúncia do presidente Jânio Quadros teve seu momento mais tenso, no Rio Grande do Sul, na segunda feira, 28 de agosto de 1961. Naquele dia, o comandante do III Exército, general Machado Lopes, recebeu ordem do ministro da Guerra para deter, imediatamente e de modo drástico, as ações do governador gaúcho.

Quem assinava a mensagem era o general Orlando Geisel, chefe de gabinete do ministro da Guerra, Odílio Denys. A instrução: que Machado Lopes “faça convergir sobre Porto Alegre toda tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente” e que “empregue a Aeronáutica, realizando inclusive o bombardeio, se necessário”. A nota diz que Brizola “colocou-se fora da Legalidade” ao deslocar tropas; o Ministério considera, portanto, “subversiva” a sua ação.

A mensagem foi captada por diversos radioamadores e repassada ao Palácio Piratini. Isso foi o suficiente para alarmar a todos. “No princípio – diria Brizola mais tarde – pensei que era alguma brincadeira de mau gosto”. Como o general Machado Lopes havia pedido para se encontrar com ele, ficou uma dúvida no ar: viria para prendê-lo? Algumas testemunhas daqueles acontecimentos dizem que o governador já havia assegurado o apoio à causa da Legalidade de outros dois generais: Peri Bevilacqua e Oromar Osório, comandantes de unidades importantes do interior do Estado. Estaria, portanto, confiante na posição dos militares gaúchos. Mas, naquele instante, a dúvida ainda era forte.

Em meio ao corre-corre dentro do Palácio Piratini e nas imediações, ouviu-se dizer que o governador inverteria os papéis, ameaçando prender o general Machado Lopes assim que ele colocasse os pés na sede do governo gaúcho. Para ganhar tempo, e antecipando-se de propósito ao encontro marcado com o chefe militar, Brizola resolveu falar pela Rádio da Legalidade – visto que tinha requisitado a Guaíba desde o dia anterior. No final da manhã de segunda-feira, desceu para os porões do Palácio, onde funcionava a Sala de Imprensa, carregando uma metralhadora INA a tiracolo e fumando. Dos microfones, então, fez o mais dramático pronunciamento daquele período.

Falou de improviso, com toda a emoção que o momento exigia. O engenheiro Homero Simon, da Guaíba, que cuidava da parte técnica da transmissão, o avisara: “enquanto aquela luz estiver acesa, estamos no ar”. Foi a deixa para a fala ir se alongando, fazer um chamamento à população e prometer resistir até o fim: “a morte é melhor do que a vida sem honra”. Tempos depois, Brizola declararia: “Nunca tive oportunidade de ouvir uma gravação desse pronunciamento. Não sei mesmo se existe, ou se alguma pessoa possui esta gravação. Gostaria de ouvi-la. Somente agora, depois de 25 anos, é que consegui ler uma transcrição da imprensa da época”.

Cenário de preparação para guerra

Os portões do Palácio guarnecidos, barricadas com caminhões, sacos de areia como proteção e pessoal armado nas janelas – este era o cenário de preparação para o conflito. Muitos auxiliares, dentro do prédio, choravam. O arcebispo Dom Vicente Scherer chegou ao local e dirigiu-se à ala residencial, para consolar a primeira-dama, Neusa Brizola. Perto dali, o posto de recrutamento de voluntários no pavilhão da avenida Borges de Medeiros, o “Mata-Borrão”, cadastrava e distribuía armamentos. Na Base Aérea de Canoas, os aviões da FAB que fariam o bombardeio foram impedidos de levantar voo, pela a ação dos que apoiavam a Legalidade.

Nesse meio tempo, o general Machado Lopes já havia tomado posição, no sentido de desobedecer às ordens militares superiores e aderir à tese da Legalidade. A confusão era tamanha que uma das antessalas do gabinete do governador teve de ser arrombada, pois a chave tinha desaparecido. Logo depois, junto com oficiais, chegava o comandante do III Exército para a importante reunião.

O governador e o general, mais tarde, apareceram nas escadarias, sendo aplaudidos pelas pessoas que se aglomeravam no local, à espera de uma definição. O comandante do III Exército se definira a favor da ordem constitucional, com estas palavras:

– Governador Brizola, estou aqui para informar-lhe que o comandante do III Exército e os demais oficiais decidiram ficar com a Constituição e garantir a posse do presidente João Goulart.

A partir daquele momento, o governador entregou a Machado Lopes o comando das operações militares e determinou que a Brigada Militar ficasse sob as suas ordens. O comandante, por sua vez, distribuiu uma circular às unidades no âmbito do III Exército:

“Comunico que, tendo recebido ordem do senhor ministro, intermédio general Geisel, que implicaria deflagrar guerra civil, declarei que não cumpriria e, a partir deste momento, enquanto Cmt III Ex, só cumpriria ordens legais dentro da Constituição vigente”.

Em seu livro O III Exército na crise da renúncia de Jânio Quadros, o marechal José Machado Lopes não deixa de colocar uma crítica, lembrando aquela reunião de 28 de agosto de 61: “Nessa ocasião fiz ver ao Governador Leonel Brizola a necessidade de moderar os seus atos de exaltação revolucionária e de devolver as estações de Rádio (emissoras) às suas atividades normais, o que foi por ele prometido”.

O jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre, estampou na edição vespertina daquele 28 de agosto a manchete: “3º Exército garante a Constituição – Momentos dramáticos no Palácio”.

Neste mesmo dia 28, o ex-presidente Jânio Quadros, que se encontrava em Santos, embarcava no navio Uruguai Star rumo a Londres. Também, nesta segunda-feira, o presidente da Câmara, deputado Ranieri Mazzilli, que assumira a presidência da República, leria a mensagem em que comunicava ao Congresso a decisão dos ministros militares contrários à posse de Jango. “Os ministros militares – dizia a nota oficial entregue ao senador Auro de Moura Andrade –, na qualidade de chefes das Forças Armadas, responsáveis pela ordem interna, manifestaram a absoluta inconveniência, por motivos de Segurança Nacional, do regresso ao país do vice-presidente da República João Blechior Marques Goulart”.

Na nota, Mazzilli ainda dizia: “Desejo informar à Nação que se, nas duas casas do Congresso, houverem por bem reconhecer os motivos invocados na mensagem, me considero incompatibilizado para candidatar-me em substituição do Sr. Jânio Quadros no exercício efetivo da presidência da República. Estou certo de que a Nação há de reconhecer que a atual conjuntura exigirá de mim o mais nobre e alto desinteresse pelas investiduras pessoais, ao lado do sagrado dever de defender as instituições democráticas”. Este trecho foi visto por muitos, inclusive pelo governador Leonel Brizola, como uma candidatura indireta, uma forma de apunhalar a democracia.

Os Doze Dias Que Abalaram o Brasil

O artigo trata do levante vitorioso contra a tentativa de golpe em 1961, conhecido como Rede da Legalidade, que teve à frente o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel de Moura Brizola. O autor destaca a participação popular, a formação de milícias populares, o apoio do III Exército e a frustração com o acordo que permitiu a posse do vice-presidente João Goulart condicionada à aceitação do parlamentarismo.
por Neimar Oliveira - Licenciado em História pela UFPel e correspondente do Jornal Inverta no RS
Foi em 25 de agosto de 1961, Dia do Soldado, por coincidência, que o presidente Jânio Quadros consumou a sua renúncia. Era uma sexta-feira. O vice-presidente João Goulart estava em viagem pelo Oriente, e encontrava-se na China, justamente quando a renúncia ocorreu. Cabia-lhe constitucionalmente a presidência quando os ministros militares, a revelia da lei e da nação, impuseram o veto. Negavam os direitos do vice-presidente escolhido nas urnas, com o que rasgavam a Constituição; providenciavam sua prisão, assim que retornasse ao país. Esse tipo de golpe caracterizava o domínio da cúpula militar sobre o Estado. As possibilidades de resistência eram mínimas. A confiança da cúpula conspirativa no resultado era tanta, que não tomaram medidas preventivas; censura à imprensa ou ao rádio. Essas medidas só vieram quando já se pronunciavam as primeiras resistências, que vieram num crescendo tão rápido, capaz de, em poucos dias, deter o dispositivo militar golpista.
A primeira manifestação de repulsa veio do setor nacionalista das Forças Armadas. Ao compreender o problema que se apresentava, o marechal Henrique Teixeira Lott, em 26 de agosto, lança um manifesto, tornando-se o foco da resistência geral:
 “Tomei conhecimento, nesta data, da decisão do Senhor Ministro da Guerra, Marechal Odílio Denis, manifestada ao representante do governo do Rio Grande do Sul, deputado Rui Ramos, no Palácio do Planalto, em Brasília, de não permitir que o atual Presidente da República, Sr. João Goulart, entre no exercício de suas funções, e ainda, de detê-lo no momento em que pise o território nacional.
Mediante ligação telefônica, tentei demover aquele eminente colega da prática de semelhante violência, sem obter resultado. Embora afastado das atividades militares, mantenho um compromisso de honra com a minha classe, com a minha pátria e as suas instituições democráticas e constitucionais. E, por isso, sinto-me no indeclinável dever de manifestar o meu repúdio à solução anormal e arbitrária que se pretende impor à Nação.
Dentro dessa orientação, conclamo todas as forças vivas do país, as forças da produção e do pensamento, dos estudantes e intelectuais, dos operários e o povo em geral, para tomar posição decisiva e enérgica no respeito à Constituição e preservação integral do regime democrático brasileiro, certo ainda de que os meus camaradas das Forças Armadas saberão portar-se à altura das tradições legalistas que marcam sua história no destino da Pátria”.1
O manifesto do Mal. Lott despertou o movimento de apoio que começou a alastrar-se em todas as correntes e em todos os círculos, com profunda repercussão entre os militares. A junta golpista, automaticamente constituída, foi enveredando pelo caminho que lhe restava, o da violência: instaurou censura, assaltando as redações dos jornais, ocupando-os com grupos militares, estabeleceu o controle das comunicações telefônicas e telegráficas, montou um esquema de guerra psicológica, efetuando várias prisões. Começou pela prisão do próprio Mal. Lott, que foi recolhido a uma fortaleza como preso comum.
À essa altura, a junta militar que se instalara no poder conservava formalmente, como presidente testa de ferro, o Dep. Ranieri Mazzili Criava-se o clima destinado a arrancar do Congresso a decisão exigida de impedimento de João Goulart.
O sinal mais claro que haveria resistência em todos os campos veio no radiograma do Rio Grande do Sul, enviado pelo III Exército que participava a posição assumida pelo governador gaúcho Leonel Brizola de não reconhecer o golpe militar e estar disposto a resistir.
O RIO GRANDE DO SUL SE INSURGE
Chovia muito em Porto Alegre naquela sexta feira, 25 de agosto de 1961. O governador Brizola participava, pela manhã, da cerimônia alusiva ao dia do soldado. Havia boatos da renúncia do presidente Jânio. Por volta da 14 horas, já no Palácio Piratini, os seus assessores, Hamilton Chaves e Carlos Contursi, o procuram com a noticia urgentíssima – Jânio Quadros tinha renunciado:
 “Meu primeiro gesto foi o de dar garantias ao Presidente Jânio Quadros. Porque achávamos, nos primeiros momentos, que ele havia sido vitima de um golpe. Finalmente eu consegui uma comunicação através do jornalista Castelo Branco, com a base de Cumbica, em São Paulo. E o Presidente Quadros mandou-me dizer que realmente havia renunciado. A partir daquele momento, passamos a dirigir todo o nosso protesto reivindicando a posse do vice-presidente. Tomei todas as medidas que cabiam ao Estado em matéria de mobilização, para assegurar a ordem pública, comuniquei-me com o comandante do III Exercito dizendo que, diante da situação que ele também sabia, cabia ao Estado tomar as providencias para resguardar a ordem pública. E de acordo com a Constituição, somente quando não pudéssemos resguardar a ordem pública, pediríamos então a cobertura, a colaboração das tropas federais. Ele concordou, e eu passei a tomar todas as providencias. Mobilizamos todo o armamento disponível e nos preparamos para uma resistência. E sentimos que o Brasil inteiro fechou. Todos os demais estados se submeteram à junta militar, com exclusão do governador Mauro Borges. Aqui no Rio de Janeiro, o governador Lacerda desencadeou a repressão. Em São Paulo também houve uma omissão por parte do governador Carvalho Pinto. O mesmo em Minas. E procurei contato com todos os generais e chefes militares que eu consegui direta ou indiretamente. Foi alias neste momento que eu tive um diálogo muito duro com o general Costa e Silva, que comandava o IV Exercito no Recife”.2
O governador Brizola, em reunião do secretariado, convocado extraordinariamente, declarou: “o Rio Grande do Sul não pactuará com qualquer golpe contra as instituições e a liberdade pública”.
A decisão do governador Brizola de resistir colocava um elemento novo diante do movimento golpista, até imposto a base da imposição branca, decorrente de dispositivo de força que dissuadia qualquer idéia de resistência. Não apenas a resistência passiva, a resistência de opinião, mas a resistência concreta, de um governo estadual e de um grupamento militar significativo, a Brigada Militar. A junta militar não recuou e começou a armar o dispositivo para a luta.
A posição do comandante do III Exercito ainda estava longe de uma definição, tanto assim que expediu aos subordinados um radiograma de n° 59 dizendo que o Sr. Ministro da Guerra informava que elementos comunistas do Congresso estariam perturbando uma solução legal para a crise decorrente da renúncia do Presidente, segue o radiograma informando que o Marechal Lott teria lançado um manifesto subversivo, obrigando o Senhor Ministro a determinar sua prisão.
Na madrugada de domingo 27 de agosto, o governador Leonel Brizola pronunciou através das rádios Farroupilha e Guaíba, as palavras que definiram a sua intenção de resistir e reagir à bala se fosse preciso. Daí por diante, os acontecimentos se sucederam em ritmo acelerado. De repente, o Rio Grande do Sul transformou-se no centro da resistência ao golpe militar.
A situação era indefinida. O estado gaúcho já tinha mobilizado o seu potencial bélico através das unidades da Brigada Militar e da Policia Civil. Entidades estudantis e sindicatos se movimentavam na arregimentação de seus filiados e simpatizantes e se desenhava a formação de brigadas populares. As rádios que tinham transmitido o manifesto do marechal Lott foram fechadas por ordem de Brasília. Permaneceram no ar apenas as rádios que se mantiveram discretas no noticiário e que haviam se negado a transmitir as notas oficiais do governo do estado e o manifesto do Marechal Lott.
Na manhã de domingo, 27 de agosto, surgiu a solução: o governador Leonel Brizola, resolveu requisitar a rádio Guaíba para operar como emissora da Secretaria da Segurança Pública. A escolha da rádio Guaíba se deu por ser a única, naquele momento, capaz de iniciar imediatamente o trabalho, pois as rádios Gaúcha e Farroupilha estavam com os transmissores lacrados e demandaria muito tempo para colocá-las em operação.
A CADEIA DA LEGALIDADE
Brizola, além de requisitar a rádio Guaíba, a ocupou militarmente, assim como a companhia telefônica, passou a exercer o controle das comunicações desse tipo em Porto Alegre, controlou o movimento da companhia aérea Varig. Requisitou da fabrica Taurus, três mil revolveres calibre 38, estabeleceu um posto de recrutamento de populares no pavilhão da avenida Borges de Medeiros, conhecido como "Mata Borrão”, onde foi distribuído o armamento; cercou o Palácio Piratini com trincheira ocupadas, em parte por civis e armados pelo próprio governo do estado. Criou-se um estado de exaltação coletiva. Grande parte da população foi armada para as ruas.
A radio Guaíba, com apenas quatro anos, era das mais ouvidas no Rio Grande do Sul e possuía dois potentes transmissores de ondas curtas nas faixas de 25 e 49 metros. Além do mais, seu responsável técnico, o engenheiro Homero Simon teve sua competência comprovada, durante as transmissões diretas da Copa do Mundo de 1958, na Suécia.
Operada pelos próprios funcionários do Serviço de Imprensa do Palácio Piratini, com a liderança de Hamilton Chaves e Carlos Contursi, a emissora começou a ser chamada pela população de Radio da Legalidade. Em poucas horas, os porões do palácio do governo gaúcho fervilhavam de gente: redatores, locutores técnicos, músicos etc. Todos com desejo de se unirem ao trabalho da livre informação, ainda mais quando as noticias vindas do centro do país eram cada vez mais alarmantes, relatando uma brutal repressão, censura e prisões de jornalistas.
Aos poucos, outras emissoras foram entrando em cadeia com a Guaíba. Dezenas de radio amadores fizeram o mesmo com seus transmissores equipados com antenas direcionadas para o norte. De emissora oficial, a Radio da Legalidade passou, na verdade, a ser uma emissora pública, controlada pelos profissionais que ali se encontravam. Já no segundo dia de transmissões, a Rede da Legalidade era formada por mais de cem emissoras comerciais, número que cresceu nos dias subseqüentes, e cuja dimensão aumentou com a adesão da radio Brasil Central de Goiana.
Embora os clamores do governador do Rio Grande do Sul pela posse de Goulart tivessem encontrado ressonância em todo o país, somente o governador de Goiás, Mauro Borges, acompanhou Brizola na resistência frontal aos ministros militares. Declarando que a lei do país emana do povo, e não da força das armas de Denys, Borges ameaçou: “se não for respeitada a democracia, distribuirei armas ao povo e marcharei sobre Brasília”.
Como Porto Alegre, Goiânia, naqueles dias, transformou-se em cidade rebelada. O Palácio das Esmeraldas foi cercado por barricadas e ninhos de metralhadoras, fortemente resguardado pela Polícia Militar. Por iniciativa do governador, instituiu-se o “Exército da Legalidade”, composto por estudantes e populares que, armados e uniformizados, patrulhavam a cidade. Afinado com Brizola, Borges garantiu estar em condições de oferecer a Goulart toda a segurança para transitar de Goiânia a Brasília, se assim fosse a sua vontade.
As transmissões ininterruptas da Rede da Legalidade eram captadas em todo o território nacional e no exterior. Nos quartéis dos lugares mais distantes, ela era ouvida em segredo e alimentava o ânimo dos militares que se opunham à junta golpista. Lideranças comunitárias do Brasil inteiro ali se abasteciam de informações e desejo de resistência.
A Rede da Legalidade começou a fazer regularmente emissões em vários idiomas, claro que, devido à vizinhança com Uruguai e Argentina, as primeiras emissões foram em espanhol. Isto resultou que em várias cidades destes dois países fossem organizados movimentos de solidariedade ao povo brasileiro, incluindo até grupamentos que começaram a se preparar para deslocar-se em direção ao Rio Grande do Sul, a fim de unirem-se às forças da legalidade. A Rádio da Legalidade transmitia também em inglês, francês, alemão, italiano e até houveram transmissões em árabe e turco.
Foi a Rádio da Legalidade que permitiu a dezenas de jornalistas profissionais do rádio de outras cidades a transmissão, sem censura, de seus despachos. Na impossibilidade de utilizarem o telex e o telefone, os profissionais apresentavam livremente seus boletins.
Um grupo de bacharéis em jornalismo – Lauro Hagemann, Cipriano Ferreira Bernd, Iara Bendatti, Circe Mara Citro, Álvaro Val e Nestor Fedrizzi – anunciou apoio à Legalidade e declarou-se em “reunião permanente”. Paulo César Pereio e Lara de Lemos, integrantes do Comitê de Resistência Democrática dos Intelectuais, fizeram o Hino da Legalidade (ele, a letra, ela, a música). Pereio reuniu um grupo de pessoas no estúdio da rádio Farroupilha e gravaram o hino, que tocava constantemente na Rede.3
No dia 5 de setembro de 1961, Jango decidiu embarcar rumo à Brasília. Era o vôo-suicida, porque havia a ameaça de oficiais da Aeronáutica atacarem o avião quando tentasse pousar na capital. Mas não houve o atentado.
Este foi também o último dia da Rede da Legalidade. Depois que Jango viajou, a mobilização foi diminuindo, as pessoas voltando para suas casas. Leonel Brizola falou à noite, elogiou a participação do povo gaúcho, falou na defesa das liberdades democráticas e do trabalho de locutores, redatores e rádio repórteres que trabalharam na Rede da Legalidade. O encerramento foi frustrante. A Rede da Legalidade encerrou as atividades à meia-noite.
CISMA NAS FORÇAS ARMADAS
A estrutura das Forças Armadas na região sul
O III Exército
Considerando-se que, das três Forças, o Exército é a que possui o maior efetivo, havia uma predominância da força terrestre na região, sendo o estado do Rio Grande do Sul o mais militarizado. A estrutura militar na década de 1960 era basicamente a que existe hoje, à exceção de algumas unidades criadas e outras transferidas desde então. O Paraná possuía um efetivo militar bem menor que o gaúcho, concentrado basicamente na capital e na região Centro-Sul do estado. Em Curitiba, encontrava-se a sede do Comando da 5ª Região Militar e 5ª Divisão de Infantaria (5ªRM/DI), hoje 5ª Região Militar e 5ª Divisão de Exército (5ª RM/DE), com jurisdição sobre os estados do Paraná e Santa Catarina e subordinada ao então III Exército (hoje Comando Militar do Sul), com sede em Porto Alegre e jurisdição sobre os três estados do sul. A 5ª RM/DI possuía em seu território comandos subordinados (artilharia divisionária, brigadas de infantaria, regimentos e batalhões de infantaria, grupos de artilharia, regimentos de cavalaria e unidades de apoio). Essas unidades não eram bem distribuídas territorialmente, pois havia uma extensa região totalmente desmilitarizada (todo o Norte e o Sudoeste do estado).
A crise provocada pela renúncia de Jânio e a intolerância à posse de João Goulart repercutiu no comando militar do Paraná. No auge da crise, comandava a 5ª RM/DI o general Benjamin Rodrigues Galhardo, que, no dia 28 de agosto de 1961, procurou o governador Ney Braga e disse-lhe que era capaz de garantir a posse do general Cordeiro de Farias no cargo de Comandante do IIIº Exército, em seu quartel-general (atual Solar do Barão). No dia 31 de agosto mudou de posição, passando a apoiar o general Machado Lopes e declarando que as tropas do ministro da Guerra não passariam pelo Paraná, que, segundo ele, era a fronteira da legalidade. Esse episódio demonstra bem a confusão que reinava naqueles dias.
Não é muito comum a quebra de comando, a quebra da unidade das Forças Armadas brasileira. Em 1961 houve divisão explicita. O III Exercito rompeu com o comando das Forças Armadas, mais precisamente com o então ministro da Guerra Odílio Denys.
Segundo apurei no material pesquisado, não foi uma decisão fácil a do general Machado Lopes em romper com seus superiores hierárquicos. Homem de caserna com a cultura da obediência. Certamente a influência de outros militares, como Pery Bevilacqua, Oromar Osório e Assis Brasil ajudaram ao comandante a superar suas dúvidas e hesitações, esses militares teriam sidos procurados pelo governador Brizola sob orientação do Marechal Lott antes de terem sido preso. Tenho para mim que a opinião de outros oficiais generais, que de certa forma reproduziam o sentimento de seus comandados, teve um peso significativo, mas não podemos desconsiderar o papel que teve a Cadeia da Legalidade e a força do povo nas ruas respaldando a decisão do governador Brizola de resistir ao golpe. A indefinição do general Lopes ficou evidente na ordem que ele deu aos seus subordinados de tomar a Ilha da Pintada, onde funcionava os transmissores da rádio Guaíba. O ataque calaria o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. Graças a um estúdio improvisado nos porões do Palácio Piratini, com equipamentos requisitados da Guaíba, Brizola vinha mantendo a população mobilizada desde domingo em defesa da posse constitucional de João Goulart na Presidência. Ao ordenar a invasão, Machado Lopes dava um passo decisivo para o confronto militar. A missão cabia aos soldados da Companhia de Guarda, sob o comando do capitão Pedro Américo Leal, hoje coronel da reserva do Exército e vereador na capital pelo PP (Partido Progressista). O major Álcio da Costa e Silva, responsável pelo serviço de comunicações do QG, ficaria incumbido da retirada do cristal.
Leal já havia argumentado que a ilha estava tomada por soldados da BM (Brigada Militar). Horas antes, o sargento Eloy Faedrich, o cabo Antônio da Costa Pereira - que era remador - e um tenente tinham feito um reconhecimento da ilha. De barco, disfarçados de pescadores, os três viram que uma investida resultaria em mortes. Os brigadianos estavam preparados para a luta. Eram 3 horas quando o capitão Leal recebeu um telefonema do ajudante-de-ordem do comandante do Estado Maior do Exército, general Antônio Carlos Muricy, para suspender o ataque. Leal recusou ordens por telefone. Não demorou para o oficial chegar até a Companhia de Guarda e repassar pessoalmente a contra-ordem.
Na manhã do dia 28 de agosto de 1961, o comandante do Terceiro Exercito recebia a ordem que caracteriza até onde pretendia chegar a junta militar em seus desmandos e que a situa claramente no terreno do crime político e militar de bombardear Porto Alegre:
“(1) O General Orlando Geisel transmite ao General Machado Lopes, Comandante do III Exército, a seguinte ordem do Ministro da Guerra:
O III Exército deve compelir imediatamente o Sr. Leonel Brizola a pôr termo à ação subversiva que vem desenvolvendo e que se traduz pelo deslocamento e concentração de tropas e outras medidas que competem exclusivamente às Forças Armadas.
O Governador colocou-se, assim, fora da legalidade. O Comandante do III Exército atue com a máxima energia e presteza.
2) Faça convergir sobre Porto Alegre toda tropa do Rio Grande do Sul que julgar conveniente, inclusive a 5a DI, se necessário.
3) Empregue a Aeronáutica, realizando inclusive o bombardeio, se necessário.
4) Está a caminho do Rio Grande do Sul uma força-tarefa da Marinha.
5) Qual o reforço de tropa de que necessita?
6) há um boato de que o general Muricy viria ao Rio. O Ministro da Guerra não quer acreditar nessa notícia e julga que o momento não é mais para parlamentar, mas requer ação firme e imediata.
7) O Ministro da Guerra confia em que a tropa do III Exército cumprirá seu deve.”.4
Em resposta, o comandante do III Exercito declarou ao general Orlando Geisel que não cumpriria a ordem recebida por não encontrar apoio legal.
Mas o amanhecer do dia 28 continuou tenso, o nervosismo novamente invadiu os salões do Palácio. O serviço de rádio-escuta do governo estadual captou ordens do ministro da Guerra, Odilo Denys, para que a Força Aérea Brasileira (FAB) e o III Exército bombardeassem o Piratini. Ao mesmo tempo, o general Machado Lopes comunicou ao governador Leonel de Moura Brizola, que iria ao Palácio, conversar com ele pessoalmente.
O governador acionou os microfones da Rede da Legalidade.
Sentando-se à mesa de um estúdio improvisado, Brizola, com uma das mãos, segurou o microfone e, com a outra, uma metralhadora INA. Ao seu redor, jornalistas e funcionários civis e militares corriam, de um lado para outro, com revólveres presos à cintura. Com a voz trêmula e embargada, o governador deu início a um emocionado discurso, pedindo à população de Porto Alegre calma, serenidade e frieza, ressaltou a necessidade de se fecharem todas as escolas, resguardando as crianças. As pessoas, se achassem conveniente, poderiam ir ao trabalho. Ele, no entanto, ficaria no Palácio cercado por familiares e servidores civis e militares, com o apoio da Brigada Militar. Não eram muitos soldados para resistir, as armas eram poucas, mas ainda assim não sairia da sede do governo.
Segundo Brizola, o comandante do III Exército, Machado Lopes, solicitou-lhe uma audiência e estava a caminho do Palácio. Era possível, avisou o governador, que a visita do general fosse a de um amigo, que seria recebido com prazer e civilidade. Mas poderia também significar a comunicação de sua deposição do governo. Neste último caso, argumentou Brizola:
 “[...] se ocorrer a eventualidade do ultimato, ocorrerão, também, conseqüências muito sérias. Porque nós não nos submeteremos a nenhum golpe. A nenhuma resolução arbitrária. Não pretendemos nos submeter. Que nos esmaguem! Que nos destruam! Que nos chacinem, neste Palácio! Chacinado estará o Brasil com a imposição de uma ditadura contra a vontade de seu povo. Esta rádio será silenciada [...]. O certo porém é que não será silenciada sem balas”. 5
A tensão, no Palácio Piratini e na Praça da Matriz, atingiu o auge quando, no dia 28 de agosto, logo após o emocionado discurso de Brizola, o general Machado Lopes, acompanhado de todos os generais do III Exército, entrou no Palácio Piratini.
Esperava-se que o comandante em seu discurso desafiador, obedecendo ao ministro da Guerra, comunicasse ao governador Brizola a sua deposição.
Porém, contrariando todas as expectativas, Machado Lopes rompeu com Denys e, entendendo-se com o governador gaúcho, concordou que a ordem legal deveria ser preservada, garantindo-se a posse de Goulart.
A tal decisão corresponderam, naturalmente, medidas concretas, com o deslocamento das forças do III Exercito em direção ao norte, vindo suas pontas atingir os limites do estado de São Paulo, comunicando esse deslocamento de tropas aos governadores do Paraná e de Santa Catarina. O comandante do III Exercito prevenia-se assim contra qualquer ação da junta militar. Embora pressionado e arriscando sua carreira, Lopes manteve sua posição. Em represália, Odilo Denys destituiu-o do comando do III Exército e nomeou o general Osvaldo Cordeiro de Farias para o seu lugar. Além disso, convocou Lopes, juntamente com Bevilácqua e Osório, a se apresentarem no Ministério no prazo de oito dias, sob o risco de ser considerado desertor. O comandante rebelado, em resposta, enviou um enérgico telegrama a Denys reafirmando seu respeito à Constituição e declarou, oficialmente, que se Cordeiro de Farias pisasse em solo gaúcho seria preso.6
Nos acontecimentos militares, verifica-se, e nisso estava o novo, que a massa de oficiais não se dispunha mais a acompanhar os golpes de cúpula apenas pela obediência. A recusa, que começou em casos isolados logo se generalizou. Comandantes de unidades, apressadamente presos ou substituídos, e grupos inteiros de oficiais recusando-se a cumprir as ordens da junta golpista.
Marinha de Guerra
A hierarquia militar no Brasil separa as pessoas em classes sociais ao invés de funções dentro da Forças Armadas. Coloca nas mais das vezes, subalternos e superiores em posições antagônicas. Mas, muitas vezes essa barreira foi transposta, quando o interesse imediato cedeu lugar à luta pela democracia, pela liberdade e a defesa do País. Foi assim na crise gerada pela tentativa do comando das Forças Armadas em impedir a posse de João Goulart. Isso aconteceu no navio contra-torpedeiro Ajuricaba. O navio teria zarpado do Rio de Janeiro, logo após a renuncia de Jânio, com destino ao porto gaúcho de Rio Grande, com a missão de reconhecimento e de, no caso de necessidade, bloquear o porto contra os legalistas gaúchos. Após uma semana no mar, ao se aproximar do porto de Rio Grande, o navio foi dominado pela guarnição, sob o comando de um suboficial, chefe das comunicações de telegrafia. Os oficiais foram aprisionados e a guarnição aderiu à Legalidade. Quando chegou ao porto, o navio foi controlado por oficiais da Brigada Militar, à tripulação foi permitido “baixar terra”, na linguagem naval, e aos oficiais permitido a manutenção de suas armas de defesa pessoal.7
Outro incidente ocorreu no porto do Recife, quando o Comandante da Base Naval de Recife, Capitão de Fragata João Cabral declarou apoio a Legalidade afirmando que ninguém da Base iria desembarcar para apoiar o golpe.
No Rio Grande, funcionava a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul, que dispunha de poucos homens, mal armados, basicamente, se constituíam na manutenção da sinalização náutica de costa (faróis) que, muitas vezes, eram feitas com auxilio de veículos do DEPREC, pois nem viaturas dispunha a Capitania. O Comandante da Capitania era o capitão de corveta Humberto Giudice Fitipaldi.8.
O comandante do Batalhão de Artilharia de Costa, sediado em Rio Grande, tenente-coronel Oscar José Blum, resolveu prender domiciliarmente o capitão Fitipaldi e cortar-lhe sua comunicação telefônica, para evitar contatos de Fitipaldi com o porta aviões Minas Gerais. Posteriormente foi detectado que Fitipaldi comunicava-se com o Minas Gerais através de um rádio de uma draga atracada no porto, onde um oficial que saía para abastecer a oficialidade a utilizava. O rádio foi inutilizado e as comunicações do capitão foram cortadas.
Os acontecimentos, no âmbito militar, após a renúncia de Jânio, devem ser encarados como um despertador da consciência dos soldados e dos marinheiros que de certa forma tiveram a influência de uma geração anterior, que passou pelas crises do suicídio de Vargas em 1954 e a tentativa de golpe contra a posse de Juscelino em 1955. Somados a isso acontecimentos políticos da época, tais como: “política externa independente”, e toda a agitação do trabalhismo. Essa política nacionalista se contrapunha à conspiração e à agitação de direita, patrocinada por elementos como o governador da Guanabara Carlos Lacerda.
No caso da Marinha de Guerra, esse patrocínio era bem claro, pois de um lado, grande parte da oficialidade e alguns sargentos e suboficiais tinham simpatia pelo discurso “moralizante” de Carlos Lacerda, do outro lado, um grupo de oficiais e praças (sargentos, soldados e marujos), herdeiros das influências de lutas de quase duas décadas passadas, que representavam a esquerda militar. Cabe também lembrar que João Candido, na época estava vivo e a revolta que ele comandara estava presente na mente dos marinheiros dos anos sessenta, ou seja, apesar de todo o esforço da Marinha e da historiografia oficial em sepultar os acontecimentos de 1910, a Revolta da Chibata ainda inspirava o sentimento de rebeldia.
Força Aérea
Quando a rádio Guaíba passou a transmitir sob ordens do governo gaúcho, a “sargentada” da base aérea de Canoas, começou a perceber que a possibilidade de bombardear Porto Alegre se desenhava como realidade.9.
Radioamadores captaram a mensagem. A senha definitiva para o ataque aéreo, que chegou a ser transmitida era: “Tudo azul em Cumbica. Boa viagem”, porque os jatos da Base Aérea de Canoas, depois da missão, deveriam seguir para aquela base em São Paulo.
Em Canoas, seguiram-se momentos indescritíveis de tensão. Alertados pelo capitão Alfredo Daudt, os sargentos da base aérea se insurgiram, decididos a impedir que os oficiais levantassem vôo. Estes se dirigiram a um dos prédios para vestir os uniformes. A partir daí, os relatos são muitos. Uns dizem que os pneus dos jatos foram esvaziados. Outros dão conta de que os sargentos cercaram os oficiais, e que todos, de ambos os lados, dispunham de armamento pesado e estavam dispostos à luta.10.
Os sargentos conseguiram enviar um jipe até o centro de Porto Alegre (naquele tempo o sistema de comunicações era muito precário) para pedir ajuda. O jipe quase foi virado por uma multidão enfurecida pela notícia da ameaça de bombardeio. Os emissários conseguiram passar e o general Machado Lopes enviou uma força tarefa para assumir o controle da situação. Foi feito um acordo: o comandante da base, brigadeiro Aureliano Passos e os oficiais favoráveis ao golpe a abandonaram e foram para Cumbica. Assumiu o comando o tenente-coronel aviador Alfeu de Alcântara Monteiro, legalista. Ao assumir o comando da base, o tenente-coronel deu declarações no sentido de tranqüilizar a opinião pública. Anunciou - o que confirmava fatos sabidos da véspera - que o brigadeiro Aureliano deixara a base com mais oficiais levando os jatos que seriam utilizados no bombardeio da cidade, em número de dez. Alegava que isso afastava o perigo do ataque, e além disso, negava a existência da ordem que a base, de fato, recebera.
Tudo leva a crer que houvera, para impedimento do bombardeio do centro de Porto Alegre, uma negociação formal sobre o destino das ordens e contra-ordens dadas e recebidas. Os aviões tinham cumprido a ordem recebida, ou seja, decolaram de Canoas e pousaram em Cumbica. Se não realizaram o bombardeio, é porque não tinham bombas a bordo, impedidas de embarcar pelos sub-oficiais e pela presença da força tarefa enviada pelo general Machado Lopes. Ao mesmo tempo, os sub-oficiais e praças rebelados permaneceram sob a custódia dos oficiais remanescentes. Esse delicado equilíbrio ocorreu pela presença e o prestígio do tenente-coronel aviador Alfeu de Alcântara Monteiro. O fato é que a ordem de bombardeio houve, e só não se cumpriu graças à decisão contrária dos sargentos, dos sub-oficiais, e dos oficiais legalistas, logo a seguir, amparada pela atitude do tenente-coronel, assumindo o comando da Base Aérea. O cumprimento da ordem teria consequências imprevisíveis: o Palácio Piratini, alvo do bombardeio, fica em bairro densamente povoado; nesta época já havia até alguns edifícios em redor. A Praça da Matriz, como a população ainda a chama, em frente ao Palácio, estava sempre cheia de povo, naqueles dias de mobilização, haveria um morticínio.
A importância dos acontecimentos de Canoas foi demonstrada pelo fato de que, na Base Aérea, começaram as comemorações do Sete de Setembro seguinte, quando a crise da posse de Goulart já estava resolvida. Às nove da manhã, houve um desfile que homenageava as autoridades que para lá se deslocaram: o governador Brizola, o general Machado Lopes, o comandante da Brigada Militar, o arcebispo do Rio Grande do Sul. No fundo, os homenageados, por tal deslocamento, eram os praças, sargentos, sub-oficiais e oficiais legalistas da Base.
PARLAMENTARISMO: O GOLPE POLÍTICO DO CONGRESSO
No final de agosto, os militares golpistas lançaram um manifesto:
 “No cumprimento de seu dever constitucional de responsáveis pela manutenção da ordem, da lei e das próprias instituições democráticas, as Forças Armadas do Brasil, através da palavra autorizada dos seus ministros, manifestam a Sua Excelência, o Sr. Presidente da República, como já foi amplamente divulgado, a absoluta inconveniência, na atual situação, do regresso ao País do Vice-Presidente, Sr. João Goulart. [...] Na presidência da República, em regime que atribui ampla autoridade de poder pessoal ao Chefe da Nação, o Sr. João Goulart constituir-se-á, sem dúvida, no mais evidente incentivo a todos aqueles que desejam ver o País mergulhado no caos, na anarquia, na luta civil. As próprias Forças Armadas, infiltradas e domesticadas, transformar-se-iam, como tem acontecido noutros países, em simples milícias comunistas”.11
Com o aumento da resistência popular, e a intransigência dos ministros golpistas, as elites, o latifúndio, em fim, o imperialismo, de uma maneira geral, perceberam que era necessário uma saída, uma solução de emergência que conciliasse os lados em antagonismo, restabelecendo a normalidade por manobra ampla de recuo no campo militar e de avanço no campo político. Foi então que ocorreu uma reunião do títere presidente Mazzilli, os ministros golpistas e os lideres dos partidos no Congresso. Nessa reunião, os ministros golpistas relataram que não concordavam com a volta do sr. João Goulart para assumir a presidência da República. Foi depois dessa reunião que Mazzilli, assessorado pelo general Ernesto Geisel, enviou uma mensagem ao Congresso pedindo a colaboração dos Deputados e Senadores para “transporem” o impasse político. Surge então a emenda parlamentarista para limitar os poderes do Presidente da Republica e satisfazer em parte os militares golpistas. Dessa forma roubam a bandeira da Legalidade levantada pelos gaúchos, com o conteúdo democrático, substituindo por outro, que obrigasse, pelo aspecto formal, à obediência, os que tinham optado pela desobediência. Tratava-se de criar rapidamente outra legalidade
Em Porto Alegre a expectativa continuava. Enquanto isso, Jango descia em Montevidéu. Ao seu encontro, seguiu o deputado. Tancredo Neves, com uma proposta no bolso a ser submetida a Jango que era uma Emenda Constitucional, pela qual o Brasil passaria ao sistema parlamentarista, como forma dos militares aceitarem sua posse. João Goulart estabeleceu como condição só se definir depois de um encontro entre ele, Tancredo e o Governador Brizola.
O deputado Tancredo seguiu, no seu avião com destino a Porto Alegre, chegou a sobrevoar o aeroporto Salgado Filho, mas Tancredo, matreiro resolveu não aterrissar, o avião, então, tomou o rumo de São Paulo.
O avião pousou no Aeroporto Salgado Filho no dia 1º de setembro trazendo um futuro presidente da República decidido a governar com poderes limitados. O Estado escolhido por João Goulart como porta de entrada havia se transformado ao longo daqueles dias de regresso da China. Armados e entrincheirados, os gaúchos estavam convencidos de que poderiam levar um conterrâneo à Presidência da República pela força e a coragem.
O governador Leonel Brizola já sabia que seu cunhado chegaria de Montevidéu convencido pelo deputado Tancredo Neves (PSD-MG – Partido Social-Democrata – Minas Gerais) a aceitar o sistema parlamentarista de governo. No mesmo dia pela manhã, Jango conversou longamente com o deputado mineiro na embaixada do Brasil, na capital uruguaia. No caminho do aeroporto para o Palácio Piratini, Brizola constatou pessoalmente que o cunhado havia empenhado a palavra a Tancredo. O parlamentarismo - sistema que concentra poderes no parlamento - foi a “solução” encontrada em Brasília para resolver o impasse criado com o veto dos militares à posse de Jango. Numa reunião a portas fechadas no seu gabinete, na presença de Jango, do comandante do 3º Exército, general Machado Lopes, e dos secretários de Estado Brochado da Rocha e João Caruso, Brizola entregou um papel onde constava sua posição: chegar até Brasília por terra com tropas civis e militares (a exemplo que ocorreu na Revolução de 30), dissolver o Congresso e convocar uma Constituinte. Pelos cálculos de Brizola, havia reserva de combustível para 14 dias. O Exército e a Brigada Militar tinham armamento para 110 mil homens. A tropa civil seria selecionada entre os milhares de gaúchos alistados nos comitês de resistência democrática. Antes de deixar a sala e se recolher à ala residencial, Brizola disse que respeitava a posição do futuro presidente de aceitar as regras do parlamentarismo e que não criaria dificuldades.
Aquele Congresso havia rasgado a Constituição numa madrugada, adotando um parlamentarismo espúrio onde se restabelecia a normalidade e as forças reacionárias ganhavam tempo para se reorganizar e para restabelecer o aparelho militar deteriorado pela crise.
Na sua chegada, Jango e Brizola foram à sacada do Piratini, depois de horas de expectativa. Jango apenas acenou. Não houve discursos. Palavras ofensivas foram proferidas, cartazes com a foto de Jango rasgados, faixas enroladas, choro dentro e fora do palácio. Jango foi visitar o “porão da Legalidade”, inconformados, os jornalistas fizeram um corredor polonês e ficaram de costas para o Presidente que aceitara a imposição do Parlamentarismo. Jango foi duramente cobrado por ter aceitado a solução parlamentarista. No seu primeiro contato com os jornalistas, o vice-presidente foi recebido com uma incômoda homenagem: Vamos aplaudir o presidente em regime presidencialista! Os jornalistas se recusaram inicialmente a colocar na rede de emissoras da Legalidade o manifesto redigido pelo vice-presidente à população. Em mensagem à população, só palavras conciliadoras.12.
Brizola havia decidido não criar maiores empecilhos, mas deixava claro que, a partir daquele momento, partiria para a derrubada do parlamentarismo.
No dia 5 de setembro, uma terça-feira, finalmente Jango deixou Porto Alegre. A primeira tentativa de embarcar para Brasília foi abortada. Às vésperas da viagem oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) haviam montado um plano, denominado de Operação Mosquito, que visava a abater o avião de Jango, caso tentasse aterrissar em Brasília. Só com a divulgação de um manifesto dos três ministros militares (Odílio Denys, da Guerra, Gabriel Moss, da Aeronáutica, e Sílvio Heck, da Marinha) assegurando o desembarque e a investidura na Presidência, Jango se deslocou novamente para o Aeroporto Salgado Filho. Às 17h30min embarcou no Caravelle acompanhado pelo presidente da Varig, Rubem Berta, pelo general Amaury Kruel - que no avião foi nomeado chefe da Casa Militar -, por Walther Moreira Salles, futuro ministro da Fazenda, e por deputados. À meia-noite do mesmo dia, 5 de setembro de 1961, a Rede da Legalidade foi desfeita. O Estado e o país voltaram à normalidade. No dia 7 de setembro, João Goulart foi empossado presidente da República
Brizola, líder da Legalidade, campanha que estremeceu o Brasil por 12 dias, não prestigiou a posse de João Goulart na Presidência. A presença em Brasília significaria para o governador avalizar o parlamentarismo, golpe político articulado pelo Congresso para “transpor” o impasse criado com o veto dos militares a Jango.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Campanha da Legalidade, do ponto de vista da defesa das liberdades, da democracia e da história do rádio, foi um acontecimento marcante na imprensa livre e na radiofonia de todo o mundo.
Alguns autores comparam a Rede da Legalidade, com a histeria e a angústia sofrida pelo povo de Nova Iorque em 1938 pelas transmissões de uma suposta invasão marciana à Terra, no programa radiofônico A Guerra dos Mundos, irradiado pela rede norte americana CBS, e conduzido pelo ator e diretor Orson Welles. O programa gerou medo e pânico ao narrar uma invasão fictícia.
Mas o que entendo que mais se aproxima da experiência vivida pelos brasileiros, tanto pelo aspecto geográfico, como também, pela dramaticidade e sobretudo, pela veracidade, foi a tentativa de mais um golpe militar na América Latina, que graças aos modernos meios de comunicações, possibilitou a população organizar a resistência e derrotar os golpistas, refiro-me a Venezuela, em 2002, quando tentaram derrubar o Presidente Hugo Chávez. A partir da televisão, trucando-se uma série de imagens em que supostamente seus partidários apareciam fuzilando manifestantes desarmados.
Também tentaram ignorar a resistência antigolpista que estava se formando, ignorância que teve amplo apoio da mídia conservadora internacional e do governo dos Estados Unidos. Entretanto a internet e o telefone celular ajudaram a neutralizar as falsas informações, e a população de Caracas acorreu ao Palácio Miraflores. No domingo à noite, Chávez reentrava triunfalmente no palácio presidencial, apoiado pelo povo e militares legalistas, enquanto, no Brasil, Veja e outras revistas semanais saudavam prematura e equivocadamente o seu afastamento do governo.
Mesmo que a historiografia oficial procure negar, o povo brasileiro tem uma tradição e uma história de lutas revolucionárias, quer no ciclo de lutas anticolonial: Quilombo dos Palmares, Inconfidência Mineira; ou o ciclo de lutas de cunho antiimperialista, como o Levante dos Dezoito do Forte de Copacabana, o Levante de 1924 em São Paulo, a Coluna Prestes, a Insurreição de 1935, o Movimento Pela Legalidade em 1961, bem como a resistência armada durante a ditadura militar nos anos 60 e 70.
O episódio da Legalidade, a historiografia oficial passa ao largo. Quando aborda, o faz de maneira superficial, não podendo negar, desconsidera, historicamente, a capacidade do povo em resistir aos militares golpistas naquele momento.
Na luta contra o golpe, estabeleceu-se uma grande frente, onde o movimento estudantil, transferiu a sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) para Porto Alegre, o campesinato arregimentou forças, a classe operária formou batalhões para a luta, além da greve política decretada. Junto também parte da burguesia, enquanto outra parte cerrou fileiras aos militares golpistas. Mas o desfecho ocorreu sob hegemonia da burguesia.
O papel desempenhado pelo governador Leonel Brizola foi revolucionário, digo isso levando em conta a afirmação de Marx que “em determinadas épocas históricas não importa a idéia que o individuo tenha de si, nem a que os outros façam dele, mas o importante é o papel que ele desempenha na luta de classes”.
Já ao contrário, a atuação de João Goulart, foi a de um político vacilante, chegou à presidência com poderes limitados, só foi conseguir governar de fato, um ano e quatro meses depois da posse, quando o parlamentarismo fracassou depois da queda de três gabinetes e tentativas frustradas de pôr em prática um plano econômico-social. Alguns setores tentam sublimar a atuação de Jango, como se ele tivesse atuado em nome da “paz”, para evitar o “derramamento de sangue”.
Uma passagem que demonstra o descontentamento com Jango, é quando ele chega a Porto Alegre, vindo do Uruguai e vai visitar as instalações da Rádio da Legalidade no porão do Palácio Piratini, os jornalistas presentes fazem uma espécie de corredor polonês e ficam de costas para João Goulart. Evidentemente estamos trabalhando com o episódio da Legalidade em 1961, mas o comportamento indeciso vacilante se expressará com mais clareza em abril de 1964, quando os militares assaltam o poder. É intrigante que, menos de três anos depois, a sociedade brasileira tenha assistido, sem maiores reações ou protestos, para não dizer paralisada, a marcha de tanques vindos de Minas Gerais para o Rio de Janeiro. Mesmo com as interpretações que denunciam a conspiração direitista-imperialista ou as que ressaltam os fatores estruturais econômicos-políticos, é no mínimo curioso como, em período tão curto, a sociedade brasileira, combativa e ciosa da legalidade democrática em 1961, tenha aceito a solução autoritária e fascista em 1964.
É bem verdade que temos de analisar também a inexistência de uma agremiação revolucionária e de esquerda no Brasil à época. O XX Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética) trouxe a confusão levando o PCB a enveredar para posições de conciliação, revisionista e de direita. Essa postura ocasionou a cisão no Movimento Comunista Brasileiro que tornou incapaz de aproveitar a crise gerada pelo veto dos militares à posse de João Goulart no sentido dos trabalhadores ganharem a hegemonia dando consequência ao Movimento pela Legalidade, transformando-o num Movimento Revolucionário para construir um Brasil livre soberano e justo, ou seja, um Brasil Socialista.
Neimar Oliveira - Licenciado em História pela UFEPel e correspondente do Jornal Inverta no RS

REFERÊNCIAS
BANDEIRA, Muniz. O Governo João Goulart. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976.
DIAS, Mauricio. Jango, um filme de Silvio Tendler. Porto Alegre: L&PM, 1984.
DUARTE, Antônio. A luta dos marinheiros. Rio de Janeiro: Inverta, 2005.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Ed. da USP, 1998.
INSTITUTO Estadual do Livro. Nós e a Legalidade: depoimentos. Porto Alegre: Age, 1991.
MARX, Karl. Obras Escolhidas. São Paulo: Alfa-Omega, [s.d].
SILVA, Hélio. O poder militar. Porto Alegre: L&PM, 1984.
SODRÉ, Nelson Werneck. História Militar do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
1 Manifesto do Mal. Teixeira Lott apud SODRÉ, Nelson Werneck, História Militar do Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965. pág. 374.
2 Depoimento de Leonel Brizola apud DIAS, Maurício, Jango, um filme de Silvio Tendler, Porto Alegre, L&PM, 1984, pp.29-30.
3 INSTITUTO Estadual do Livro, Nós, a Legalidade, depoimentos, Porto Alegre, Age, 1991, p. 19.
4 Ordem da Junta Militar, transcrito em Anselmo F. AMARAL, Brizola e a Legalidade, Porto Alegre, Intermédio, 1996. p.65.
5Ibid. p.66.

6 Ibid. p.77
7 Antonio Duarte, A luta dos marinheiros, Rio de Janeiro, Inverta, 2005, p.37.
8 INSTITUTO Estadual do Livro, Porto Alegre, Age, 1991, 1991, p.202.
9 Ibid., p.164.
10 Nelson Werneck Sodré, História Militar do Brasil, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1965, p.379.
11 Manifesto dos Ministros da Guerra Odílio Denys, da Marinha Silvio Heck e da Aeronáutica Grun Moss reproduzido, Hélio SILVA, O poder militar, Porto Alegre, L&PM, 1984, p.274.
12 INSTITUTO Estadual do Livro, Porto Alegre, Age, 1991, p.192.
http://inverta.info:8081/ceppes/revista-ciencia-luta-de-classes/4/os-doze-dias-que-abalaram-o-brasil

2011: 89 anos do nascimento de Leonel de Moura Brizola e 50 anos da Campanha da Legalidade.


Há homens que lutam um dia. E são bons.
Há homens que lutam muitos dias. E são melhores.
Há os que lutam anos. E são excelentes.
Porém há os que lutam por toda vida.
Estes são os imprescindíveis...

Brecht

Entendemos, como José Marti, que “é profanação o esquecimento vergonhoso dos mortos” logo o MORENA-cb não poderia deixar de prestar uma homenagem aquele que nos inspira na luta antiimperialista de libertação nacional rumo ao socialismo: Leonel Brizola.

O Comandante Brizola está vivo na memória, em cada uma das lutas atuais do povo trabalhador e no legado do que ousamos chamar de brizolismo. Brizola, nas vitórias e nas derrotas, nos seus acertos e erros destacou-se como um patriota e revolucionário com uma biografia marcada pela coerência com os interesses populares e a coragem na defesa da nação e de um desenvolvimento voltado para as maiorias.

A Campanha da Legalidade foi um dos momentos mais importantes da História de lutas do povo trabalhador brasileiro e latino-americano e o MORENA-cb homenageia Brizola, aos 89 anos da data de seu nascimento, iniciando as atividades e ações políticas das comemorações dos 50 anos da Campanha da Legalidade em 2011 com a divulgação da página Legalidade 50 anos.